Nome do filme: Distrito 9 (2009)
Disponível em: DVD
Gênero: Ficção científica/Drama
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4.0/5.0 – Muito bom
á fazia um bom tempo que eu estava querendo assistir a “Distrito 9”, lançado nos cinemas do Brasil em outubro do ano passado. Depois de ter comprado o filme e deixado ele ali, abandonado na prateleira por meses, hoje finalmente achei que fosse o momento apropriado para assistí-lo. Chuva, frio, cobertor no sofá. Por que não?
Sempre fui fã de filmes sobre extraterrestres mas já sabia que “Distrito 9” usava esse tema como pano de fundo para algo mais profundo. Talvez, confesso, essa tenha sido a razão de eu ter demorado tanto para assistí-lo. Andava com preguiça de ver algo que me fizesse refletir. Estava mais para os filmes “fast food” de Hollywood, aquele velho tipo que vem todo mastigado. E este – felizmente – não é o caso.
O iniciante Neill Blomkamp – responsável pela direção e roteiro – faz uma referência histórica óbvia ao escolher não Manhatam ou Los Angeles como cenário do filme, mas a cidade de Johanesburgo na África do Sul. É lá que uma gigantesca nave mãe quebra e fica suspensa no ar por anos. Depois de 3 meses sem obter nenhum contato, os humanos decidem invadi-la. Lá se deparam com milhões de extraterrestres subnutridos à beira da morte. Logo em seguida são levados, isolados e discriminados a um gueto que recebe o nome de Distrito 9. Com o decorrer dos anos o lugar se transforma em uma gigante favela plana com extrema precariedade de saúde, higiene e alimentação.
É aqui que a referência histórica (rapidamente citada acima) fica óbvia. Os extraterrestres são tratados exatamente como os negros eram tratados com o nascimento da Apartheid, no fim da década de 40, também na África do Sul, em que os negros não podiam se misturar ao restante da população (branca) isolados em guetos, sem direito de transitar livremente e com escassez de serviços básicos. Representados aqui, por alienígenas, a história parece descer mais leve goela a baixo.
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| Foto: O ator Sharlto Copley dá vida ao típico personagem humano: covarde, fraco e imprevisível. |
O filme começa mesmo quando 20 anos após a chegada dos chamados “camarões” a equipe responsável pelo re-assentamento desse povo precisa entrar no Distrito 9 e recolher as assinaturas dos moradores. É quando somos convidados a degustar de momentos de ação, ficção e drama.
Além do roteiro (amarradíssimo, diga-se de passagem), o ponto forte de “Distrito 9” está no carisma de alguns personagens, tanto humanos quanto extraterrenos. Como não ter um sentimento ambíguo ao personagem de Wikus Van De Merwe (interpretado pelo até então desconhecido Sharlto Copley) líder da operação de re-assentamento? Ele, quase que como Clark Kent, é a representação do ser humano comum: covarde, fraco mas neste caso, acima de tudo imprevisível. É interessante acompanhar a transformação (ou seria transformações?) pela qual Wikus passa no decorrer do filme.
Os efeitos especiais também estão aqui, quase que o tempo todo e convencem. Tanto os hóspedes “camarões” quanto a gigantesca nave parecem bem realistas. Aliás, boa parte do filme é apresentada como um fato real tirado de documentários e aparições em telejornais. Sim! Tem um dedo, uma unha daquela fórmula que ficou famosa em “A bruxa de Blair” e que deu as caras várias outras vezes depois disso (vide “Cloverfield, o monstro”). Admito que dá um ar mais interessante ao filme.
“Distrito 9” é uma criativa reciclada de fatos históricos e até cotidianos com o toque mágico do entretenimento que procura levar seu público a pensar. O que não falta é crítica descarada a própria humanidade com todo o seu egoísmo, ganância e falta de controle. Quer analisar tudo isso de uma maneira “hipotética”? “Distrito 9” faz o convite!
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